SAÚDE PARA A OUTRA METADE

O imperativo da ordem vigente para a saúde do povo brasileiro é a Universalização que não passa de utopia se não houver descenteralização com uso eficiente dos investimentos no setor. As especificidades e as singularidades biológica, sociológica e geográfica do Amazonas requerem estratégias inteligentes e adequadas na busca da justiça social. A concentração da atenção nos aglomerados mais densos - centralizada - é imprópria e excludente.

Pouco mais de 300 médicos atuam em favor da saúde dos que vivem no interior, incluindo os povos indígenas e os ribeirinhos. A dispersão dessa gente, as dificuldades de acesso aos seus espaços geográficos, a imensidão necessária da floresta submete os detentores da maior riqueza: o conhecimento ancestral, ao quase abandono.


domingo, 14 de novembro de 2010

FIXAÇÃO DE MÉDICOS EM ÁREAS REMOTAS E DE DIFÍCIL ACESSO

O desafio de estabelecer assistencia médica continuada em áreas remotas é há muito permanente na área da saúde. O que fica posto é o alto custo das remoções de pessoas mais graves ou a aceitação do adoecimento, da piora progressiva e da  morte evitáveis. Para problemas comuns, o que, felizmente, é a realidade na maioria das vezes, a intervenção do suporte social: cultural e familiar - quando oportuna - pode alí resolver a situação e até salvar a vida (como a atitude de oferecer Terapia de Reidratação Oral e cuidados alimentares no caso de diarréias comuns, por exemplo). Não se pode, no entanto, negar o direito de todos a ter disponível assistencia médica quando esta for necessária.

Imputar aos médicos a ausencia nesses locais de difícil acesso é, insistimos, querer desviar o foco das responsabilidades.

Aos médicos, é imperativo que busquem e é preciso que o façam de forma permanente, aprimoramento contínuo, dado às tantas enfermidades existentes, ao arsenal de metodos diagnósticos e possibilidades terapeuticas que se acrescentam, substituem-se e se renovam sem parar. Não se espera que, no isolamento, haja esperança dessa possibilidade. De outro lado, o desgaste extremo: físico e emocional, a que estão submetidos esses profissionais requer que ao longo da carreira esteja estabelecida segurança que permita acomodações adequadas no avanço da idade.

Estudos no mundo dão conta que nos locais onde há programas de formação (Residencia Médica) ocorre a fixação de profissionais. Só este fator é determinante da fixação de médicos e não mais outro.

Tres requisitos estão postos para promover a atenção médica para a população dessas áreas desprovidas:

1. O estabelecimento de uma carreira de Estado para os médicos que a ela se dispuserem, com salários dignos;

2.  A instituição de programas de formação que permitam o aprimoramento e garantam atualização e especialização aos médicos que para aí se deslocarem sob a forma de Residencia Médica em serviço.

3.  A definição compensações por tempo de serviço nessas localidades.

Essa questão é direito de todos e dever do Estado.

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